Os cinco testes que a gente roda antes de falar do seu site
Antes de dar qualquer opinião sobre um site, a gente mede cinco coisas. Todas dão para você fazer sozinho, no navegador, em dez minutos. Aqui está a lista inteira e o que fazer com cada resposta.
A pergunta chega sempre no mesmo formato: um endereço, e “o que você acha do meu site?”
A resposta honesta é que ainda não achamos nada. Opinião dada de olho vale pouco — duas pessoas olham a mesma página, uma acha moderna, a outra acha poluída, e nenhuma das duas está falando do que interessa, que é se aquilo traz cliente.
Então antes de opinar, a gente mede. São cinco testes. Nenhum depende de gosto, todos dão a mesma resposta para quem quer que os rode, e todos cabem no seu navegador em uns dez minutos. Esta é a lista inteira, sem reserva.
Dois deles pedem o código-fonte. Parece coisa de programador, mas não é: no computador, aperte
Ctrl+U(ouCmd+Uno Mac) com o site aberto. Abre uma aba cheia de texto. AperteCtrl+Fe procure a palavra que o teste pedir. É só isso — você não vai mexer em nada, só olhar.
Teste 1 · O endereço sem o www
Digite na barra do navegador o seu domínio começando com https:// e sem o www. Assim: https://suaempresa.com.br.
Três coisas podem acontecer. O site abre normalmente — ótimo. Ou aparece uma página de erro. Ou aparece um aviso vermelho dizendo que a conexão não é particular.
As duas últimas são o mesmo problema: o certificado de segurança cobre o endereço com www e não cobre o endereço sem. Quem digitar o seu domínio do jeito mais curto — e muita gente digita — bate num aviso de perigo antes de ver a sua empresa. É a pior primeira impressão possível, e é um ajuste de minutos na hospedagem.
Se abriu, falta a segunda metade do teste: olhe o que ficou escrito na barra depois que a página carregou. O ideal é que todas as versões do endereço levem a uma só. Se com.br e www.com.br abrem os dois e cada um fica no seu, o Google vê duas cópias do mesmo site e divide entre elas a força que deveria ser de uma.
Teste 2 · A etiqueta que avisa o celular
Abra o código-fonte e procure viewport.
Se não achar nada, esse é o achado mais caro da lista. Sem essa linha, o navegador do celular presume que a página foi feita para uma tela de computador e encolhe tudo para caber. O resultado é o site inteiro em miniatura, com letra que exige pinçar para ler. Quem faz isso uma vez raramente faz duas.
Se achar, leia o que vem depois de content=. O certo é width=device-width, que em português quer dizer acompanhe a largura do aparelho, seja ele qual for.
Tem uma variante que engana: a linha existe, mas em vez de device-width traz um número fixo, tipo width=320. Isso era comum na época em que todo celular tinha mais ou menos o mesmo tamanho. Hoje o site é desenhado para 320 pixels e esticado para os 400 e poucos do aparelho de quem está lendo — fica tudo levemente borrado e maior do que deveria, e ninguém sabe explicar por quê.
Esse teste é o primo técnico do Seu site no celular: o teste que quase ninguém faz — lá a gente olha com os olhos, aqui a gente confirma no código.
Teste 3 · O título principal
Ainda no código-fonte, procure <h1.
Esse é o título principal da página: a frase que diz do que ela trata. Uma página deveria ter um — um só, e que diga alguma coisa.
Duas falhas aparecem muito. A primeira é não ter nenhum: acontece quando o título foi feito com um texto comum deixado grande na mão, o que parece igual na tela e não é igual para quem lê o código. A segunda é ter um <h1> com a palavra “Home” dentro, ou só com o nome da empresa.
Não é que o Google recuse o seu site por isso. É que você tem um lugar reservado para dizer, na linguagem mais direta que existe, o que a sua empresa faz e para quem — e está usando esse lugar para escrever “Home”.
Teste 4 · O telefone que não dá para tocar
Esse é o único que precisa ser feito no celular, e leva quinze segundos: abra a sua página inicial no telefone e tente tocar no número de contato.
Se abrir a ligação ou o WhatsApp, passou. Se não acontecer nada, o número está lá como enfeite — é texto, não é botão. A pessoa teria que decorar, sair do site, abrir a agenda e digitar. Uma parte simplesmente desiste no meio.
Aproveite e veja se o número aparece sem precisar rolar a página. Contato que exige procurar é contato que exige vontade, e a maior parte das visitas não tem tanta vontade assim.
Teste 5 · Quanto tempo até o servidor acordar
Aperte F12 no computador, vá na aba Rede, recarregue a página e olhe a primeira linha da lista. Ali está quanto tempo o servidor levou só para começar a responder — antes de qualquer imagem, antes de qualquer texto aparecer.
Esse número mede o servidor, não o site. Dá para ter uma página leve, bem feita, e mesmo assim lenta, porque a hospedagem demora a acordar. Acontece muito em plano compartilhado barato.
A régua que a gente usa no dia a dia, e que é nossa, não uma lei da internet: abaixo de meio segundo está bom. Acima de um segundo e pouco já incomoda. Acima de dois segundos é problema — e é problema que nenhuma otimização de imagem resolve, porque a lentidão acontece antes de a imagem existir.
Se der alto, rode de novo em outro horário antes de concluir qualquer coisa. Rede varia, e um número medido uma vez só não é medição, é palpite com casa decimal. O custo desses segundos está em Quanto custa um segundo a mais de carregamento.
O que fazer com as cinco respostas
Escreva as cinco numa folha e repare no que você tem em mãos: uma lista curta de fatos, não de opiniões. Nenhum item dela é discutível. Ou a etiqueta está no código ou não está. Ou o telefone abre a ligação ou não abre. Quando você levar isso para quem cuida do seu site, a conversa não vira briga de gosto — vira uma lista de coisas para consertar, com começo e fim.
Repare também no tamanho das falhas. Quatro dos cinco testes apontam para ajustes de horas: um certificado, uma linha no código, um título reescrito, um número virando link. Nenhum deles pede site novo. Antes de pedir orçamento de reforma, vale ler Quando não vale a pena refazer o seu site — a maior parte das queixas sobre site tem conserto mais barato do que começar do zero.
Se algum teste falhar e você não souber o que fazer com a resposta, chame a gente no WhatsApp e conversamos sobre ela. A conversa é de graça e não tem pegadinha: se o conserto for dos que cabem em uma tarde, a gente diz que cabe em uma tarde.
O que a gente não faz é mandar diagnóstico escrito de graça. Estudar um site a fundo dá trabalho de verdade, e trabalho de verdade tem preço. Mas os cinco testes acima são seus, para rodar quantas vezes quiser — inclusive no site do seu concorrente.