Instinto Estratégico

Quando não vale a pena refazer o seu site

Refazer o site parece a solução para tudo. Muitas vezes é a mais cara e a menos eficaz. Um teste simples para saber se o seu problema pede site novo ou só um conserto bem feito.

admin 5 min de leitura

Existe um momento na vida de quase toda empresa em que alguém diz: “a gente precisa refazer o site”.

Às vezes é verdade. Mas repare no que costuma vir antes dessa frase: um concorrente lançou site novo, entrou um sócio com outra visão, ou simplesmente todo mundo cansou de olhar para a mesma página. Nenhum desses é um motivo de negócio. São motivos de quem vê o site todo dia — e o seu cliente não vê o site todo dia.

Vale a pena, antes de assinar um projeto novo, fazer uma pergunta que quase ninguém faz: o problema que eu tenho é resolvido por um site novo, ou por um conserto no site que eu já tenho?

O que uma reforma custa além do dinheiro

O orçamento é a parte visível. Há três custos que não aparecem nele.

Tempo. Um site novo leva semanas, às vezes meses. Durante esse período, o site antigo continua no ar — e ninguém mais cuida dele, porque “o novo está chegando”. O problema que motivou a reforma segue acontecendo, agora sem data para acabar.

Posição no Google. Esse é o custo que mais surpreende. Se o site antigo já aparece na busca para alguma coisa, essa posição está presa aos endereços das páginas. Reforma que muda os endereços sem redirecionar os antigos para os novos faz o Google encontrar páginas que não existem mais — e a posição conquistada em anos pode cair em semanas.

O que já funcionava. Todo site velho tem alguma página que traz contato sem ninguém saber por quê. Reforma feita sem medir antes costuma apagar justamente essa página, porque ela “estava feia”.

Antes de qualquer reforma, abra o Search Console → Desempenho → Páginas e anote quais endereços recebem cliques. Essa lista é o que não pode se perder. Se o projeto novo não prevê redirecionar cada um deles, ele está prevendo perder o tráfego que você já tem.

O sintoma pede o quê

A maior parte das queixas sobre site tem um conserto mais barato que um site novo. Uma tabela ajuda a separar:

O sintomaO que costuma resolver
“Ninguém entende o que a gente faz”Reescrever a primeira tela
“O site é lento”Tratar as imagens e tirar plugins sem uso
“Chega visita, mas ninguém chama”Telefone visível, faixa de preço, prova com link
“Não aparece no Google”Conteúdo, Search Console e Google Meu Negócio
“Está com cara de antigo”Fotos novas e textos atualizados, antes do layout
“Não consigo mexer em nada sozinho”Aqui talvez seja site novo

Repare que só a última linha aponta, de fato, para reforma. As outras cinco são consertos que cabem em dias, não em meses.

Quando refazer é a decisão certa

Seria desonesto dizer que nunca vale. Há situações em que insistir no site antigo sai mais caro do que começar de novo:

Você é refém de quem fez. Não tem acesso ao painel, não sabe onde está a hospedagem, ou o domínio está registrado no nome de outra pessoa. Consertar em cima disso é construir em terreno que não é seu.

A base está abandonada. Sistema que não recebe mais atualização de segurança, versão de PHP sem suporte, tema que quebra a cada atualização. Remendar só adia a invasão.

No celular, não tem conserto. Há sites feitos antes de o celular ser a tela principal que não se adaptam sem ser desmontados. Se a página arrasta para o lado e o texto some da tela, ajuste pontual não resolve.

A empresa mudou o que vende. Quando o negócio mudou de público, de produto ou de preço, a estrutura antiga passa a contar uma história que não é mais a sua.

A lentidão é estrutural. Se depois de tratar imagens e plugins o site continua pesado, o problema está na construção — e aí não há ajuste que resolva.

O teste, antes de pedir orçamento

Uma folha de papel e dez minutos:

  1. Escreva os três problemas que fazem você querer um site novo. Problemas concretos, não “está feio”.
  2. Para cada um, pergunte: isso se resolve com um site novo, ou com um texto, uma foto, um ajuste de velocidade ou um redirecionamento?
  3. Abra o Search Console e anote as páginas que já recebem cliques.
  4. Confirme que você tem acesso ao domínio, à hospedagem e ao painel.

Se os três problemas se resolvem com conserto e o acesso está com você, a reforma pode esperar — e o dinheiro rende mais em conteúdo e em tráfego sobre um site que já funciona.

Se pelo menos um deles só se resolve com site novo, ou se o acesso não está com você, a reforma provavelmente se paga. Nesse caso, leve a lista do passo 3 para quem for fazer o projeto e pergunte, logo na primeira conversa, como cada um desses endereços vai ser preservado.

Site novo é uma boa decisão. Mas é a última da fila, não a primeira.

Continue o rastro

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