Seu site no celular: o teste que quase ninguém faz e todo cliente faz
A maioria dos donos de empresa avalia o próprio site no computador do escritório, no wi-fi. O cliente avalia no celular, no 4G, andando. São dois sites diferentes.
Existe um descompasso silencioso na maioria das empresas brasileiras: o dono avalia o site num lugar, e o cliente avalia em outro.
O dono abre no computador do escritório. Tela grande, wi-fi da empresa, navegador com o site já em cache porque ele entra ali toda semana. Carrega instantâneo, tudo cabe na tela, tudo parece certo.
O cliente abre no celular, no 4G, em pé, na fila do banco, com o celular a 20% de bateria e o brilho no mínimo. É outro site.
Por que o celular é o site de verdade
Não é uma questão de preferência ou de tendência. É uma questão de onde as pessoas estão quando têm o problema que você resolve.
Ninguém liga o notebook para procurar um serviço. A pessoa lembra do problema no meio do dia, pega o celular que já está na mão e busca. Se ela gostar do que viu, aí sim talvez volte no computador depois — mas a decisão de te dar ou não uma chance foi tomada naquela tela de seis polegadas.
Isso tem uma consequência que muita gente inverte: o site não é “adaptado para celular”. O site é para celular, e adaptado para computador.
Os cinco defeitos que aparecem sempre
Depois de abrir muitos sites de empresa no celular, a lista de problemas é notavelmente repetitiva.
1 · A primeira tela não diz nada. No computador, a primeira dobra mostra logo, menu, imagem grande, título e subtítulo. No celular, mostra logo, menu e um pedaço da imagem. O título ficou abaixo. A pessoa vê uma foto bonita e nenhuma informação, e precisa rolar para descobrir o que você faz — o que ela não vai fazer.
2 · O telefone está escondido. Fica no rodapé, a nove rolagens de distância, ou dentro de um menu sanduíche que precisa ser aberto. No celular, o contato deveria estar a um toque de qualquer ponto da página.
3 · Os botões são pequenos demais. Existe uma medida para isso: 44 pixels. Área de toque menor que isso faz o dedo errar. Erra uma vez, tenta de novo, erra de novo, desiste. É um dos abandonos mais silenciosos que existem, porque a pessoa nem chega a formar a opinião de que não gostou — ela só se irrita.
4 · A tabela ou o formulário estoura a tela. Um elemento largo demais faz a página rolar para o lado. O texto sai da tela pela direita e a pessoa precisa arrastar horizontalmente para ler cada linha. É um defeito antigo e ainda comum.
5 · O texto é pequeno, ou é grande demais. Menos de 16 pixels obriga a pessoa a dar zoom. Mais de 20 faz cada parágrafo ocupar meia tela e a leitura vira uma escadaria infinita.
O teste, em cinco minutos
Faça agora, com o seu próprio celular:
- Desligue o wi-fi. É o passo mais importante e o mais pulado. O wi-fi de casa esconde todos os problemas de peso.
- Abra o seu site numa aba anônima. Sem cache, como qualquer visitante novo.
- Conte os segundos até conseguir ler alguma coisa que não seja o logo.
- Sem rolar, responda: o que essa empresa faz, e para quem?
- Tente chamar a empresa. Quantos toques até abrir o WhatsApp ou a discagem?
- Role a página inteira e veja se em algum momento ela arrasta para o lado.
Se você levou mais de três segundos no passo 3, mais de dois toques no passo 5, ou a página arrastou para o lado em qualquer ponto do passo 6, você acabou de encontrar um problema que custa clientes toda semana — e que nenhum relatório ia te contar.
A ferramenta que dá o número
Depois do teste manual, existe um jeito de trocar impressão por medida: o PageSpeed Insights, do próprio Google. É gratuito, é uma caixa de busca, você cola o endereço do seu site e ele devolve uma nota.
Duas coisas importantes sobre ele:
Olhe a aba Celular, não a Desktop. Elas dão notas bem diferentes, e a de celular é a que conta — inclusive para o Google, que indexa a versão móvel do seu site.
A nota não é o mais importante. Abaixo dela vem uma lista de problemas específicos, em ordem de quanto tempo cada um custa. É essa lista que serve. Nota 60 com “imagens em formato antigo” no topo é um problema resolvível numa tarde. Nota 60 por dez motivos diferentes é outra conversa.
O que costuma pesar
Na esmagadora maioria dos casos, a lentidão de um site de empresa tem três causas, nesta ordem:
Imagens grandes demais. Uma foto tirada no celular tem 4 MB. Se ela subiu para o site do jeito que saiu da câmera, cada visitante baixa esses 4 MB. Uma imagem bem tratada para web pesa entre 100 KB e 300 KB e é visualmente idêntica na tela.
Plugins e scripts demais. Cada ferramenta instalada — chat, pop-up, rastreador, carrossel, animação — traz o próprio código junto. Vinte plugins somam facilmente mais peso que o site inteiro.
Vídeo de fundo. Bonito no computador, cruel no 4G. Se tiver, precisa ter um substituto leve para quem chega pelo celular.
Nada disso exige refazer o site. São três frentes, tratáveis separadamente, e a primeira costuma resolver metade do problema num único dia de trabalho.